sábado, 23 de fevereiro de 2013

A Conjunção nos resgatou


É quando não posso que sou fraco. É quando sou fraco que não tenho forças. É quando não tenho forças que paro de lutar. É quando paro de lutar que eu choro. É quando eu choro que olho para baixo. É quando olho pra baixo que vejo que não há céu, só terra. É quando não vejo o céu que fecho meus olhos. É quando fecho meus olhos que me deparo comigo. É quando me deparo comigo que vejo que faço o que faço posto que eu sou o que sou. E é quando vejo que o que faço é pelo que sou, então, me vejo impossibilitado, fraco, sem forças, estagnado, amargo, cabisbaixo, sem perspectiva, cego, só e conformado com minha abjeção; conformado com minha paranoia de autoacusação cíclica.
            Mas a conjunção “mas” me resgatou. Mas há quem veja com um amor sem medidas um paranoico autoacusante sem fim. Mas há quem veja na abjeção o arrependimento. Mas há quem veja na solitude a carência. Mas há quem veja na cegueira o medo. Mas há quem veja na falta de perspectiva o engano. Mas há quem veja na cabeça baixa o quebrantamento. Mas há quem veja na amargura as feridas pretéritas. Mas há quem veja no paralisado um desesperado. Mas há quem veja no franzino um frágil menino. Mas há, finalmente, quem veja neste incapaz o seu fim. Mas a conjunção adversativa converte o caminho, destrava as velhas veredas e contorna a frouxidão. Quebra a estultícia do néscio e guia o cego por meio da sua luz.
            Mas há um Jesus. Disto precede e segue vida de cada filho de Deus. As Escrituras estão inundadas de frases como “Jesus, porém lhes disse...”, e também “mas Jesus dizia...” ou “mas vindo Jesus...” e, por fim, “e, Jesus, tendo ouvido...”. Jesus não adicionou, nem concluiu, nem alternou, muito menos concedeu. Ele se opôs.
            Na vida encharcada e embriagada de iniquidade que todos um dia vivemos ou a estamos vivendo agora não cabe acrescer, concluir, conceder, alternar, mas cabe transmutar, metamorfosear ou, então, no melhor português possível: substituir. Na impossibilidade de mudança do que somos há que se morrer. Há que se entender que Cruz é o fim do ciclo da nossa paranoica tendência de achar que há luz ao fim do túnel. Parece-nos sempre que o amanhã será diferente, enquanto não vemos que o amanhã é somente o hoje daqui a 24 horas; nada irá mudar. Não há novidades debaixo do sol, mas há novidade acima dos céus, acima das estrelas e dos astros. Uma única e suficiente novidade que desceu das alturas para ser novidade entre os baixios e no meio do atol de inconformados.


            A conjunção já havia quebrado as trevas com e disse Deus: haja luz. A novidade é que a conjunção se encarnou e nos resgatou. Ela veio para cravar e proclamar um PORÉM eterno na história do cosmos. Não fosse isto o bastante para nos maravilhar, e acima da nossa estupidez, veio para sussurrar com a voz de muitas águas que há luz além do túmulo: uma vida nova em comunhão com a conjunção chamada Cristo, o Amado.
            A tua conversão não é transformação nem transfiguração ou uma vida velha de Fênix, que ressurge das próprias cinzas. Ser convertido é ato passivo. É receber a convicção do pecado, ser levado ao arrependimento, saber da justiça a nós devida, da justificação a nós imputada pelo Amado e vida da ressurreição juntamente com ele. É, outrossim, experimentar que há colo de amor no trono da Eternidade. Não há luz ao fim do túnel, há somente a velha cruz ao fim do túnel. E após a cruz, sim, há uma maravilhosíssima Luz, a luz dos revestidos do novo homem que é refeito para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou. Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele (Cristo) eternamente. Amém. Romanos 11:36.