É
quando não posso que sou fraco. É quando sou fraco que não tenho forças. É
quando não tenho forças que paro de lutar. É quando paro de lutar que eu choro.
É quando eu choro que olho para baixo. É quando olho pra baixo que vejo que não
há céu, só terra. É quando não vejo o céu que fecho meus olhos. É quando fecho
meus olhos que me deparo comigo. É quando me deparo comigo que vejo que faço o
que faço posto que eu sou o que sou. E é quando vejo que o que faço é pelo que
sou, então, me vejo impossibilitado, fraco, sem forças, estagnado, amargo,
cabisbaixo, sem perspectiva, cego, só e conformado com minha abjeção;
conformado com minha paranoia de autoacusação cíclica.
Mas a conjunção “mas” me resgatou.
Mas há quem veja com um amor sem medidas um paranoico autoacusante sem fim. Mas
há quem veja na abjeção o arrependimento. Mas há quem veja na solitude a
carência. Mas há quem veja na cegueira o medo. Mas há quem veja na falta de
perspectiva o engano. Mas há quem veja na cabeça baixa o quebrantamento. Mas há
quem veja na amargura as feridas pretéritas. Mas há quem veja no paralisado um
desesperado. Mas há quem veja no franzino um frágil menino. Mas há, finalmente,
quem veja neste incapaz o seu fim. Mas a conjunção adversativa converte o caminho,
destrava as velhas veredas e contorna a frouxidão. Quebra a estultícia do
néscio e guia o cego por meio da sua luz.
Mas há um Jesus. Disto precede e
segue vida de cada filho de Deus. As Escrituras estão inundadas de frases como “Jesus, porém lhes disse...”, e também “mas Jesus dizia...” ou “mas vindo Jesus...” e, por fim, “e, Jesus, tendo ouvido...”. Jesus não
adicionou, nem concluiu, nem alternou, muito menos concedeu. Ele se opôs.
Na vida encharcada e embriagada de
iniquidade que todos um dia vivemos ou a estamos vivendo agora não cabe
acrescer, concluir, conceder, alternar, mas cabe transmutar, metamorfosear ou,
então, no melhor português possível: substituir. Na impossibilidade de mudança
do que somos há que se morrer. Há que se entender que Cruz é o fim do ciclo da
nossa paranoica tendência de achar que há luz ao fim do túnel. Parece-nos
sempre que o amanhã será diferente, enquanto não vemos que o amanhã é somente o
hoje daqui a 24 horas; nada irá mudar. Não há novidades debaixo do sol, mas há
novidade acima dos céus, acima das estrelas e dos astros. Uma única e
suficiente novidade que desceu das alturas para ser novidade entre os baixios e
no meio do atol de inconformados.
A conjunção já havia quebrado as
trevas com e disse Deus: haja luz. A novidade é que a conjunção se
encarnou e nos resgatou. Ela veio para cravar e proclamar um PORÉM eterno na
história do cosmos. Não fosse isto o bastante para nos maravilhar, e acima da
nossa estupidez, veio para sussurrar com a voz de muitas águas que há luz além
do túmulo: uma vida nova em comunhão com a conjunção chamada Cristo, o Amado.
A tua conversão não é transformação
nem transfiguração ou uma vida velha de Fênix, que ressurge das próprias
cinzas. Ser convertido é ato passivo. É receber a convicção do pecado, ser
levado ao arrependimento, saber da justiça a nós devida, da justificação a nós
imputada pelo Amado e vida da ressurreição juntamente com ele. É, outrossim,
experimentar que há colo de amor no trono da Eternidade. Não há luz ao fim do
túnel, há somente a velha cruz ao fim do túnel. E após a cruz, sim, há uma
maravilhosíssima Luz, a luz dos revestidos do novo homem que é refeito para o
conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou. Porque
dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele (Cristo)
eternamente. Amém. Romanos 11:36.
