O diabo da alma.
Existem culpas reais, culpas neuróticas e culpas autoexpiatórias, as quais surgem como tentativas de autopurgação. Isto acontece porque o ser humano ficou tão adoecido em sua pretensão soberba de ser perfeito e viver por si mesmo, que até mesmo quando ele experimenta a Graça de Deus mediante a fé, e a pacificação da alma trazida pela boa notícia de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, ele acaba por sentir culpa por esta paz.
Seja qual for a culpa, para todas elas o sangue de Jesus Cristo vertido na Cruz do Calvário é suficiente e eficiente para nos purificar a consciência, a alma e o espírito: muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! (Hb 9:14).
Para que estas culpas não nos penalizem, nos deixando enfermos e infrutíferos, a única via que temos é a fé, a confiança simples no amor de Deus manifestado em Jesus Cristo e, em sua obra na Cruz. Como alguém já disse, “o que posso eu fazer, se o único que poderia me condenar resolveu me defender? Portanto, constituo Deus, meu Advogado contra Deus”. É mediante esta Graça e este amor que nos constrange que podemos nos entender como Novas Criaturas, criadas em Cristo Jesus para as boas obras, as quais, o Pai de amor já realizou com o propósito e objetivo de que andemos por elas.
É neste amor extravagante, louco e inexplicável, e em sua Graça que faz todas as coisas de antemão, é que temos a única e legítima motivação para andar em santidade e em serviço alegre e frugal, que é o amor. Portanto, esse andar não se realiza por culpa, interesse ou medo, pois o perfeito amor lança fora todo o medo e Deus é amor. Se Jesus disse que o seu fardo é leve e o seu jugo é suave, por que devemos andar pesados e sobrecarregados? Em outras palavras, se o fardo é leve, por que estou cansado?
Quando isto acontece é sinal de que ao invés de estarmos olhando para o Cristo de Deus, de fato, estamos olhando para um ídolo exigente e sem amor que carrega o nome de Cristo, que tem a semelhança de homens caídos, posto que criados pelos próprios homens - o Cristo das religiões. Que o Pai nos dê fé para crer no escandaloso brado do Evangelho encarnado que disse, Está Consumado! Que o Pai nos dê fé para que: descansados na verdade consumada de que nenhuma condenação há sobre a vida daqueles que perderam suas vidas em Cristo, possamos viver a Vida Daquele que vive em nós. Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim (Gl 2:20). Por Alexandre Chaves / @pr_alexchaves

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